Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
Feminismo,  Livros

05 coisas que aprendi com “Sejamos Todos Feministas”

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana, reconhecida como uma das mais importantes escritoras anglófonas e que vem trazendo cada vez mais atenção para a cultura africana através de seus livros publicados, como Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo. E em dezembro de 2012 foi convidada para participar da edição do Ted Talks em Euston (TEDxEuston) onde trouxe a discussão nomeada “We should all be feminists” (Sejamos Todos Feministas no Brasil).

Chimamanda Ngozi Adichie no TEDxEuston com a discussão "Sejamos todos feministas"
Chimamanda Ngozi Adichie no TEDxEuston com a discussão “Sejamos todos feministas”

Chimamanda fez um discurso bem-humorado, realista e muito corajoso, com a ponto principal de que a desigualdade de gênero é um problema real e que atinge tanto mulheres quanto homens. Ela traz pensamentos sobre a visão que a sociedade possui da palavra feminista, a diferença de como as mulheres são tratadas no mercado de trabalho e, principalmente, como a criação de crianças influencia na sociedade que teremos no futuro.

Seu discurso fez tanta repercussão que em 2015 foi transcrito e lançado pela Knopf Publishing Group e chegou ao Brasil no mesmo ano pelo Companhia Das Letras com comentários como:

Provavelmente o livro mais importante do ano.
The Telegraph

O livro possui apenas 64 páginas e o discurso de Chimamanda é fluído e de fácil leitura, mas ao pensar em um conteúdo para fazer com este livro cheguei a conclusão de que uma resenha não faria justiça ao que está escrito nele e por isso resolvi falar 05 coisas que aprendi com “Sejamos Todos Feministas”.

01. A palavra FEMINISTA e seu peso

Você acredita que homens e mulheres possuem os mesmos direitos econômicos, políticos e sociais? Acredita que uma mulher não pode ser julgada incapaz de nada apenas por ser mulher? Então você é feminista. Mas quando dizemos que somos feministas ou intitulamos alguém de feminista a primeira reação de muitas pessoas, homens e mulheres, é de repudio.

A palavra feminista está ligada a mulher que não se cuida, não gosta dos homens e é “mal amada”. Chimamanda começa se discurso dizendo que a primeira vez que ouviu a palavra feminista foi quando um amigo, no meio de uma conversa, a chamou de feminista, mas com um tom de acusação. E em um outro trecho um jornalista, durante a divulgação de seu romance “Hibisco Roxo”, lhe deu um conselho:

Seu conselho – disse, balançando a cabeça com um ar consternado – era que eu nunca, nunca me intitulasse feminista, já que as feministas são mulheres infelizes que não consegue arranjar marido.
Chimamanda Ngozi Adichie – Sejamos Todos Feministas

Enquanto eu me descobria feminista tive que ouvir julgamentos a cada vez que me posicionava. Frases como “então vai lavar uma louça” ou “por que você não gosta dos homens?” são comuns uma vez que você levanta a bandeira do feminismo e esse é um dos motivos para que cada vez mais mulheres levantem essa bandeira, para que possamos acabar com este esteriótipo e o peso que a palavra feminismo ganhou ao longo dos anos.

02. Precisamos mudar a criação de nossos filhos

Eu ainda não tenho filhos, mas lembro de muitas coisas de quando era criança e também vi muitos padrões de criação em amigas e parentes. Lembro de quando quis aprender a andar de skate e me disseram que isso era coisa de menino, ou quando vivia com o joelho ralado por brincar na rua de casa e me disseram que eu estava parecendo um moleque. Quando cheguei a adolescência me perguntaram por que eu me vestia como um garoto ao invés de usar saias e vestidos e por muitas vezes ajudava a limpar a casa enquanto meu irmão jogava video game ou dormia.

Criamos as crianças hoje as ensinando que existem coisas que são de meninos e coisas que são de meninas e que existem padrões de comportamento para que as garotas sejam aceitas na sociedade. Não ensinamos que as meninas são tão capazes e tão talentosas como os meninos, porque enquanto ensinamos os meninos a serem ambiciosos e correrem atrás do sucesso, estamos ensinando as meninas que sua obrigação é cuidar da casa e arranjar um marido.

E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus  interesses, sem considerar gênero?
Chimamanda Ngozi Adichie – Sejamos Todos Feministas

03. Desigualdade de gênero afeta a TODOS

Quem nunca ouviu a frase “homem não chora”? Esta é uma conclusão interessante e errônea já que todo ser humano é capaz de produzir lágrimas. Mas se buscarmos essa frase na sociedade de hoje a veremos ser usada como uma forma de opressão. Homens não choram porque isso não é másculo, isso é coisa de mulher.

Então homens não podem ser sensíveis? Da mesma forma que homens não podem demonstrar fraqueza, não podem escolher serem enfermeiros ou cabeleireiros sem serem rotulados de gays.

Da mesma for que a sociedade rotula uma mulher de diversas formas apenas por ser mulher ela também oprime homens que fogem de um padrão definido por esta mesma sociedade.

Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são – porque eles têm que ser, como se diz na Nigéria, homens duros.
Chimamanda Ngozi Adichie – Sejamos Todos Feministas

04. Precisamos mudar nossa cultura

Chimamanda traz em “Sejamos Todos Feministas” um pensamento sobre nossa cultura atual. Hoje um discurso replicado por milhares de pessoas é que a mulher é subordinada ao homem porque isso faz parte de nossa cultura. Simples assim. Mas se pararmos para analisar nossa cultura hoje não é a mesma de 100 anos atrás.

Mulheres não trabalhavam, apenas homens podiam estudar, homens pagavam dotes para a família de sua futura esposa, mulheres não podiam sair desacompanhadas e por ai vai. Existiam padrões culturais e sociais há anos atrás que hoje lembramos e percebemos que são absurdos, pois nossa cultura está sempre se transformando.

Então se mulheres são subordinadas aos homens por causa da cultura, está na hora dela mudar novamente.

A cultur não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte de nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.
Chimamanda Ngozi Adichie – Sejamos Todos Feministas

05. Devemos lutar pelo direito das mulheres sim!

Se você é feminista provavelmente já deve ter ouvido a seguinte pergunta: “Mas por que lutar pelo direito das mulheres e não pelos direitos humanos, afinal somos todos humanos?”, ou talvez a frase “Sou humanista e não feminista.”

As questões defendidas pelos direitos humanos não são as mesmas que o feminismo. Se pegarmos o exemplo da educação podemos ver isso claramente, já que o objetivo dos direitos humanos é que toda pessoa tenha acesso a educação, mas ainda existem lugares onde mulheres não podem estudar, simplesmente por serem mulheres.

Quando uma mulher é impedida de fazer algo por ser mulher, isso é uma questão de gênero e devemos lutar pelos direitos das mulheres sim.

Gênero e classe são coisas distintas. Um homem pobre ainda tem os privilégios de ser homem, mesmo que não tenha o privilégio da riqueza. […] Lógico que sou um ser humano, mas há questões particulares que acontecem comigo no mundo porque sou mulher.
Chimamanda Ngozi Adichie – Sejamos Todos Feministas


O livro de Chimamanda Ngozi Adichie traz ensinamentos que merecem ser lido por todos, homens e mulheres, para começarmos a abrir a mente da sociedade. E para aqueles que preferirem a palestra de onde o livro foi tirado está disponível no site do TED Talks e com legendas em português. Você pode assistir clicando aqui.

Compartilhe esse artigo ou a palestra da Chimamanda com todas as pessoas que você acha que precisam ouvir essas lições e deixe um comentário se você já leu ou assistiu “Sejamos Todos Feministas”.

Oi, eu sou a Bruna, founder do The Gang, tenho 23 anos e sou formada em Publicidade e Propaganda, trabalhando atualmente com Marketing Digital. Gosto de conversar com as pessoas e conhecer pontos de vista, principalmente sobre livros, séries e filmes.

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